Para o povo grego, o dia 25 de março tem um grande significado e trata-se de uma data que motiva um grande orgulho. Ousamos até em afirmar que este dia do calendário marca o maior e mais importante feriado do país.

Estamos nos referindo a Independência da Grécia, um movimento patriótico de união nacional e que teve início no ano de 1821, ou seja, há exatos 200 anos. Um acontecimento que voltando ao passado, nos remete a coragem de todo um povo que se apresentou voluntariamente, oferecendo a sua vida e o seu sangue na luta em prol da liberdade e romper com a submissão sanguinária do Império Otomano.

A Guerra de Independência da Grécia, também denominada como Revolução Grega (Ελληνική Επανάσταση - Elliniki Epanastasi), perdurou por longos 8 anos e foi marcada por vigorosas e significativas batalhas.

Mas para entender o que representa esse episódio tão emblemático para o povo grego, convidamos você a fazer uma viagem no tempo e conhecer um pouco da fascinante história de uma nação, que com muita coragem, se impôs a uma dura escolha: liberdade ou a morte.

Histórico e principais acontecimentos

A soberania grega começou a ser ameaçada a partir do século XIV. Mas foi no século XV que a maior parte do território grego foi anexada ao Império Otomano, especialmente após a queda de Constantinopla em 1453, quando os turcos avançaram pelo sul da Grécia e capturaram a cidade de Atenas no ano de 1458. Os gregos ainda conseguiram manter livre a região do Peloponeso até o ano de 1460, mas em 1500, a quase totalidade do território grego já estava nas mãos dos Otomanos, o que incluíam as ilhas.

Foram mais de 400 anos de uma dominação caracterizada por uma dura opressão, onde até foi permitida pelas autoridades controladoras que os costumes gregos e a religião fossem praticados, mas mediante o pagamento de pesadas taxas especiais. Mas não era incomum a prática do confisco e os bens expropriados, eram partilhados com os funcionários civis e religiosos turcos. Além disso, os agricultores gregos eram terminantemente proibidos de adquirir terras dos turcos e tal fato propiciou uma devastadora onda de fome no ano de 1770, alimentando o sentimento de revolta na população. Na realidade, os turcos tratavam toda a população grega como meros escravos e nenhum direito, mesmo os mais básicos, lhes era devido.

Muitas insurreições ocorreram durante os séculos XVI e XVII, mas foi a partir do século XVIII, com o início da decadência do Império Otomano, que os primeiros núcleos de resistência nacional começaram a tomar forma e vigor. Em 25 de março de 1821, o movimento em prol da independência se consolidou e os combates entre gregos e turcos se prolongaram até 1825. Mas a guerra só terminou de fato, em 14 de setembro de 1829, quando Rússia e Turquia assinaram o Tratado de Adrianópolis, em que este último se comprometeu a conferir independência total e plena à Grécia. Mas ainda em 1822, podiam ser observados dois governos gregos, um no continente e outro na Ilha de Hidra. Ou seja, se não bastasse a aguerrida luta contra os turcos, os gregos ainda tiveram que debelar os conflitos internos, que só chegaram a uma solução em 1831.

Em 21 de julho de 1832, com a assinatura do Tratado de Constantinopla, a Grécia finalmente torna-se novamente uma nação soberana, e tendo como primeiro rei, Otto I da Grécia. Dessa forma, a Grécia foi o primeiro país a se tornar independente do Império Otomano e acabou inspirando outros países como Bulgária, Romênia e Sérvia a se livrarem também da dominação turca.

Muitos personagens tiveram papel fundamental na guerra de independência, como por exemplo, o marechal Theodoros Kolokotronis, considerado um verdadeiro herói grego e o líder do movimento. Também destacamos os notáveis Alexandros Ypsilantis, Athanásios Diákos, Odysseas Androútsos, os comandantes Georgios Karaiskakis e Yannis Gouras, o sacerdote Papaflessas, dentre muitos outros. Diversas figuras não-gregas também participaram na guerra pela independência do país. Entre os combatentes estrangeiros salientamos o major-general britânico Thomas Gordon e o poeta britânico Lord Byron, sendo que este último morreu em 19 de abril de 1824 aos 36 anos de idade, de uma febre contraída no campo de batalha, durante o cerco em Mesolóngi.

Hoje em dia, a data é celebrada em todo território grego e com a realização de eventos que movimentam desde os pequenos vilarejos até os grandes centros urbanos. São organizados desfiles escolares, onde os alunos marcham com trajes típicos e conduzindo com todo o brio a bandeira nacional. Marchas militares coroam a celebração prestando uma justa homenagem aos grandes heróis da Guerra de Independência. E a população como um todo sempre se faz presente, seja através da singela demonstração de orgulho em ostentar as cores do país ou prestando todo o apoio a esse acontecimento que proporcionou a soberania hoje plenamente usufruída.

A Guerra de Independência foi uma batalha heroica que conseguiu unir em um mesmo polo, a elite grega como também a grande massa da população, com um mesmo ideal sublime: a liberdade de toda uma nação.

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